3.9.15

Dica de Leitura: Três Semanas com Meu Irmão

Resenhado por: Tico Menezes


Autor: Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414219
Ano: 2015 
Páginas: 320
Classificação: /3,5 (Muito bom)   
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Livraria Cultura 


Livro do Nicholas Sparks? Ah, é mais um romance cheio de açúcar, lágrimas e que não demorará a ser adaptado para as telonas. Só que não!

Três Semanas com Meu Irmão” não é um romance, não tem personagens que carregam em si todas as inseguranças e aspirações de gerações, muito menos tem uma capa igual aos outros livros do autor. Pois é, vem ler a resenha para saber do que se trata.

Três Semanas com Meu Irmão” é quase que um diário de bordo de Nicholas e seu irmão mais velho, Micah Sparks. Não há nada fictício no livro, em vez disso, lemos uma bela história real de um dos autores mais bem-sucedidos da atualidade.

O livro é narrado por Nicholas, que conta sobre uma viagem de três semanas que fez com seu irmão mais velho. Os irmãos, que moram distante um do outro e cansados do stress da vida, do trabalho e até mesmo das responsabilidades de suas famílias, recebem um convite para visitar diversos países em três semanas e aceitam ir juntos.

Conforme Nicholas – que escreve o livro inteiro por motivos óbvios – descreve os lugares que visita, as curiosidades e excentricidades de cada país e as conversas que teve com Micah na viagem, aprofunda o leitor na história da vida de sua família. Em forma de flashbacks que se intercalam naturalmente com a narrativa, Nicholas explora seu passado humilde e repleto de dificuldades – financeiras e emocionais – e conta como Micah se tornou seu melhor amigo e quais os acontecimentos que inspiraram seus conhecidos romances.

As passagens biográficas são intensas, dramáticas, quase palpáveis visto que Sparks detalha com precisão os locais em que viveu, seus pensamentos sobre pessoas que conheceu e tudo que o motivou a fazer as escolhas que fez na vida. Sua criação com um irmão atlético e querido por todos, uma irmã sensível e dedicada  à família, um pai rígido e fã de filmes de terror, uma mãe carinhosa e cheia de frases motivacionais e, eventualmente, os momentos em que teve que se despedir de cada um deles, por causa do destino ou das responsabilidades de ser um pai e começar uma família. É uma bela história de união, amor e perseverança em meio às adversidades da vida.

Em contrapartida, as passagens da viagem dos irmãos são cansativas, com parágrafos e mais parágrafos detalhando as impressões do autor sobre um monumento no Peru ou no Camboja quando apenas uma breve introdução ao que aquilo representa bastaria para instigar o leitor a pesquisar mais sobre. Há diálogos desnecessários e uma clara romantização de momentos simples, o que torna a leitura menos crível, mesmo se tratando de uma história real.

Prato cheio para os fãs do autor que, aqui, podem conhecer a origem de seus personagens, sua opinião sobre eles, o processo de edição, venda e divulgação dos livros e, posteriormente, as turnês que antecedem as estreias dos filmes, mas principalmente, a história de sua vida. Afinal, “Três Semanas com Meu Irmão” é uma autobiografia e cumpre seu papel de contar uma história que vale a pena ser ouvida sobre uma figura popular.

Tem seus problemas de ritmo e é, por vezes, inverossímil, mas qual romance de Nicholas Sparks não é assim?

Abraços, Tico Menezes.

2.9.15

5 Dicas para quem quer ler clássicos (feat Lira Dicetaro)

Se você assim como eu tem dificuldades para ler livros clássicos, vem cá que minha amiga Lira vai dar cinco dicas pra gente! A Lira é super inteligente e uma pessoa iluminada. Ela parou de contar quantos livros já leu quando chegou nos 800. E pra nos ajudar a entrar no mundo da literatura clássica deu algumas dicas de como encontrar o livro perfeito que vai fazer você se apaixonar. Tenha calma e paciência, esse assunto é complexo, mas esperamos que o vídeo te ajude.

Já se inscreveu no canal para não perder nenhuma novidade por lá?

Todos os livros já resenhados no blog você pode conferir aqui

E aí, prontos para a literatura clássica?

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27.8.15

Dica de leitura: Vivian contra o apocalipse

Autora: Katie Cole
Editora: Agir Now
ISBN: 9788522031115
Ano: 2015 
Páginas: 288
Classificação:  (Muito bom)  
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Livraria Cultura

Recentemente eu fiz uma pesquisa lá na página do blog no Facebook, perguntando qual formato vocês preferem para resenhas. As opiniões ficaram bem divididas entre texto no blog e vídeo no canal. Eu, particularmente, adoro escrever as resenhas. Minhas ideias ficam bem mais organizadas, e eu posso reler quantas vezes for preciso até a leitura estar interessante. Já com vídeo é mais complicado, não consigo gravar várias vezes e o trabalho é um pouquinho maior. Mas, o pedido de vocês é uma ordem, e para tentar agradá-los resolvi dividir as publicações entre textos e vídeos. Os livros mais especiais sairão no canal e os livros que não me surpreenderem tanto, vão ter apenas a resenha escrita, ok?

Para começar, escolhi o livro "Vivian contra o Apocalipse" da Katie Coyle. Um livro que discute sobre a intolerância das pessoas com outras pessoas que são diferentes delas, coisa que acontece muito nesse mundo louco em que vivemos. Ele traz uma reflexão incrível sobre diferenças, intolerância e amizade. E resolvi falar um pouquinho dele pra vocês nesse vídeo. Espero que gostem!


Gostaram? Já tinham ouvido falar do livro? Depois de ter feito a resenha, descobri que esse é o primeiro livro de alguma série ou trilogia. Na biblioteca do skoob já tem o segundo livro em inglês, confira.


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25.8.15

Dica de Leitura: A Playlist de Hayden

Resenhado por: Tico Menezes

Autora: Michelle Falkoff
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581637044
Ano: 2015 
Páginas: 288
Classificação: ✰/4,5 (Muito bom)  
Onde Comprar: Saraiva | Submarino | Livraria Cultura 

Quando um autor se propõe a abordar um tema polêmico, deve estar pronto para as críticas que virão dos que já viveram o que é ali descrito. “A Playlist de Hayden” é um romance sobre o suicídio de um jovem e as consequências do ato para os que ficaram, mas trata o assunto com paciência, compreensão e honestidade. Em momento nenhum minimiza a culpa que a família sente, a dor da perda de um melhor amigo, a revolta dos envolvidos, se permitindo tempo para aprofundar sentimentos sem ficar maçante, repetitivo ou obscuro.

Essa resenha vem acompanhada de aplausos para a autora Michelle Falkoff.
Sam e Hayden eram melhores amigos. Discutiam sobre filmes, escola, jogos on-line, sociologia e, principalmente, música. Sam e Hayden não vão para festas, pois sabem o quão ameaçador é o ambiente para dois “esquisitões” que tentam passar despercebidos pelo colegial, mas eles foram a uma festa na noite passada. Nesta manhã, porém, Hayden se suicidou. Em meio à dor e ao choque, Sam descobre um recado de seu melhor amigo: Uma playlist num pendrive, e no papel está escrito “Para Sam. Ouça. Você vai entender.”

Em meio a pessoas odiosas fingindo se lamentar por Hayden, Sam se fecha, tenta entender o que sente e parar de se culpar, mas como se supera a perda de seu melhor amigo?

Novos rostos que se dizem conhecidos de Hayden, um avatar misterioso no RPG on-line que os dois jogavam, a playlist tocando repetidamente e uma história muito mais complexa do que Sam jamais imaginou se tornam parte de sua vida e o ajudam a entender o que levou Hayden a decidir por não viver mais.

Extremamente delicado e inteligentemente bem-humorado, “A Playlist de Hayden” é uma obra que homenageia as incertezas da adolescência sem endeusá-las e consegue cumprir a difícil tarefa de se manter instigante mesmo após o choque inicial. A prosa de Michelle Falkoff é fluida e intimista, Sam é um adolescente com pensamentos e atitudes de adolescente, seus medos e dores são transmitidos com naturalidade e suas reações ante as revelações dos segredos de Hayden são críveis, em momento algum os personagens soam mais velhos ou mais sábios e é exatamente aí que o livro acerta em cheio.

Sem apelar para o clichê do romance renovador ou de redenções repentinas, o livro amarra as situações sem se estender e é didático ao fechar os arcos dos personagens. Repleto de referências à cultura pop atual, Falkoff mostra-se apaixonada por essa geração, mas não ignora os clássicos e reconhece a importância dos fundamentos.
Cada capítulo tem o nome de uma música da playlist, o que torna a leitura ainda mais interativa. Vamos da completa solidão e desilusão para a empolgação e alegria intensas em questão de quatro capítulos, adentrando assim a mente do adolescente inseguro, que é instável e imprevisível. “A Playlist de Hayden” fala essencialmente sobre as crueldades involuntárias de pais, irmãos e amigos, a falta de cuidado com o que é dito em discussões fúteis e a negligência dos que assumem responsabilidades por pressão social.

Problemas do livro? Talvez incomode o fato de tudo ser objetivo e construído quase que cinematograficamente, sem espaço para detalhes na descrição de um lugar, mas isso vai de cada leitor.

Mas o carinho que pegamos pelos personagens ao longo da jornada faz-se presente num final emocionante que torna agridoce o virar da última página. “A Playlist de Hayden” é mais um livro do gênero YA que chama a atenção por se aventurar corajosamente num tema delicado sem soar superficial.

Por mais romances de Michelle Falkoff!

Abraços, Tico Menezes.

ou Mabel. Paulista 19 anos. Apaixonada por livros, louca por filmes, viciada em doces e música, futura jornalista e grande sonhadora. Vem compartilhar seus desejos comigo ♥ contato@desejoadolescente.com

 
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