20.3.17

Você não tem medo?


Minha carreira de escritora começou aos 13 anos, quando publiquei meu primeiro livro, mas só fui conhecer o feminismo e o movimento negro cinco anos depois. A partir daí comecei a ler, a discutir e a entender cada dia mais sobre o assunto.

Quando caí em mim, estava trazendo minhas lutas ­para os meus livros novos, redes sociais, palestras, discussões com amigos e familiares... Falar sobre isso era libertador, sabe? Me dava força e, mais do que isso, comecei a perceber que muitas leitoras e leitores me tinham como referência e eram influenciados pelo que escrevia.

Responsabilidade grande, né?

Enfim, tudo andava maravilhoso, estava cercada de pessoas que pensavam como eu, que me faziam crescer mais e acabei acreditando que o mundo estava muito perto de ficar lindo (risos).

Até que percebi que vivia numa bolha. Não era bem assim que as coisas funcionavam. Na vida real, as pessoas estavam disseminando ódio e criando expressões para nos silenciar e nos deslegitimar; “feminazi”, “mimimi”, “o mundo tá ficando chato”...

No meio desse processo de choque de realidade, me perguntaram se eu não tinha medo de postar e falar minha opinião, já que sou escritora e posso perder leitores que não concordam comigo.

Então parei e pensei em como minha vida muda diariamente com doses de empoderamento que vou tomando de pouquinho em pouquinho. Pensei nas leitoras que se descobriram feministas por causa dos meus livros ou das minhas postagens, pensei nos meus leitores negros que me contam casos de racismo e vibram pela minha última trilogia trazer o tema à tona, pensei em familiares e amigos que me ensinam e que aprendem comigo.

Mas principalmente pensei nas pessoas que não concordam com direitos iguais para mulheres e homens ou que acreditam que homens, brancos, héteros (ou qualquer grupo padrão) são superiores. Tenho que parar de falar sobre minhas lutas por causa deles?

Então você não tem medo?

Medo eu tenho é de nós, mulheres negras (e outras minorias) ficarmos caladas, não podermos mais lutar. Uma história inteira baseada em silenciamento e opressão e ainda querem que eu pare de militar? Pois não paro. Pois milito em dobro. Na literatura, nas redes sociais, nas escolas em que palestro, nas ruas, dentro de casa e onde mais estiver.

E os que não concordam com igualdade, eu sinto muito (mesmo, de coração), porque para mim essa não é uma questão do estilo “gostar de verde ou amarelo”, “torcer para o time x ou y”. É ser preconceituoso ou não, é escolher o lado do oprimido ou do opressor.

Para mim, como pessoa e artista, ver todo esse ódio espalhado e optar por não me posicionar é como escolher o lado do opressor.


E já faz muito tempo que tomei a direção oposta.

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14.3.17

O álbum visual da Daniela Andrade

Daniela Andrade é uma cantora e compositora do Canadá. Ela tem um canal no YouTube e você provavelmente já viu algum vídeo dela por aí. Ela faz vídeos de cover que são maravilhosos e contam com milhares de views. Entre os vídeos mais populares, você pode encontrar... 



Conheci o canal da Daniela Andrade através de um amigo músico e achei a voz dela incrível. Meses mais tarde me deparei com os três primeiros vídeos do álbum visual Shore e me apaixonei. Como eu não sabia quando ia sair o quarto e último vídeo, só fui ver meses mais tarde (uma pessoa super inteirada, memória super boa, coisa e tal)

Mas depois que eu tive contato novamente com o álbum visual, eu fiquei completamente apaixonada por como a história daquele amor é contada, a fotografia, as paisagens, a delicadeza. Sem contar as músicas que são maravilhosas e dão aquela aquecida básica no coração, sabe? 

O álbum conta basicamente as fases de um amor. Do famigerado tempo ao fim (desculpa, spoiler) e o que fica depois... É de uma delicadeza incrível e tudo fica muito lindo ao som da voz incrível da Daniela Andrade. Fiquei semanas ouvindo esse EP em looping e senti o dever de compartilhar. Confira abaixo o EP visual que está todo disponível no YouTube.



Você já conhecia o trabalho da Daniela Andrade? Conta nos comentários o que achou do EP visual!

13.3.17

Potinho do amor


Aposto que em alguma dessas noites que você não consegue pegar no sono, você parou pra pensar como seria o amor da sua vida, suponho.

Já aconteceu comigo, mais de dezenas de vezes, e provavelmente também contigo.

Nunca tive pressa para encontrá-lo, mas às vezes bate aquela dúvida, será que vou localizá-lo?

Já esbarrei com algumas paixões nessa vida, algumas eu achei que iria durar mais do que realmente durou, mas nenhuma chegou perto do que sempre sonhei desprovida.

Todas as vezes foi bom, divertido e encantador. Algumas eu sofri mais do que deveria, mas até hoje desconheço esse tal de amor.

Não tem jeito, uma hora ou outra a gente idealiza o amor perfeito.

Alguém que vai olhar pra você e querer te proteger, de qualquer pessoa ruim que aparecer.

Que vai estar contigo no sábado à noite no seu lugar preferido, seja ele uma balada ou assistindo seu filme favorito.

Que irá sonhar contigo quais países visitar, o nome dos seus filhos ou quantos cachorrinhos adotar.

Que irá combinar perfeitamente os sonhos com os teus, e se não combinar, os dois vão se adaptar.

É meio louco, talvez, a quantidade de vezes que achamos que encontramos essa pessoa outra vez.

Às vezes demora uma semana, um dia ou um mês pra perceber que era apenas momentânea.

Mas calma, não tenha pressa, vai ficar tudo bem, pra mim e pra você.

Guarda teu amor num potinho, menina, e entrega para quem realmente merecer.

2.2.17

Cinema: Passageiros



Obs: Por causa de uma exploração rasa da história que não revela inteiramente a trama, o trailer nos dá uma visão diferente do filme. Por isso, aviso que esse texto pode conter alguns spoilers importantes para contextualização da crítica. 
Nesse mês de janeiro entraram muitas novidades em cartaz nos cinemas, entre eles o filme Passageiros. A história do filme se passa dentro de uma nave de luxo em viagem interestelar levando cinco mil passageiros para um novo planeta colonizado, até que dois deles acordam de suas cápsulas de hibernação 90 anos antes do tempo, o que significa que passarão o resto de suas vidas na nave e não chegarão ao destino. Diante disso, muitas complicações acontecem ao logo da trama. Com uma história que se mostrava interessante e um cenário atípico, esse filme poderia ser uma diferença nos romances caricatos, mas devido a uma exploração pobre - inclusive de uma história problemática, e de efeitos especiais não tão bem elaborados, ele acaba se desviando completamente disso e deixando a desejar.

Após perceber que é o único que acordou, o mecânico Jim explora a nave e percebe que, na verdade, ele está adiantado 90 anos. Tentando buscar um modo de voltar a hibernação e, posteriormente, diante de seu fracasso, tentando viver o resto de sua vida na nave, o sentimento de solidão fala mais alto após um ano, levando Jim ao alcoolismo e a depressão. Porém, passando pela sala em que ficam as cápsulas, vê a escritora Aurora Lane, ficando obcecado e pesquisando o máximo de coisas sobre ela - meio que uma representação de stalker. Depois de meses pensando sobre o assunto, ele decide - pasmem -, acordar Aurora de sua hibernação para que ela viva com ele na nave, omitindo o que fez, desenvolvendo um afeto e algum tempo depois se envolvendo em um romance (parte importante que o trailer não mostra). 

Diante desse pequeno resumo bastante genérico do início do filme já temos aí um grande problema na relação dos dois: Jim decide por Aurora o rumo do resto de sua vida. No entanto, esse problema fica ainda pior por não ser bem desenvolvido durante o filme, na verdade, num roteiro como esse poderia ter sido explorado um tom mais melancólico e mais dramático que combinaria em número e grau com o cenário e a situação, diferenciando-o do comum, mas não é o que ocorre. Além da falta de exploração desses sentimentos, o filme ainda conta com alívios cômicos, o que quebra a expectativa, dá um conformismo sobre o que ocorreu e desvia o rumo de uma história problemática que poderia ter sido muito bem contornada (e que falha tentando fazer isso no final). Em suma, o filme não surpreende, perde oportunidades em que poderia ter feito isso e ainda constrói um "romance" sobre uma relação problemática que se inicia pelo egoísmo de Jim.

Ainda tratando dos problemas, a ambientação do filme tem tudo para fazê-lo ser diferente dos romances comuns, mas por não haver um bom aproveitamento dos efeitos especiais, ele acaba não sendo tão bem utilizado. Se você já assistiu Interestelar, mesmo que não tenha curtido tanto ou não tenha entendido algumas coisas (como eu - risos), com certeza deve ter se apaixonado pela ambientação e os efeitos dos planetas e do espaço, um parâmetro que acaba sendo adotado e quando aplicado a Passageiros acaba ficando bem abaixo do esperado. 

Enfim, diante de tantos problemas, o que se salva no filme são as boas atuações, principalmente de Jennifer Lawrence, e o modo que o filme mostra a possibilidade da evolução da tecnologia. O filme é uma boa para dar aquela distraída, mas em termos mais específicos, não traz alguma inovação.

Assista ao trailer de Passageiros:



E vocês já assistiram o filme? O que acharam? Conta pra gente nos comentários (espero não ter sido muito dura - risos) 
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