18.12.13

O Medo de Não ser Lembrado


Estava em uma dessas conversas em grupos pelo Facebook quando surgiu a possibilidade de um encontro entre alguns amigos no dia seguinte, assim de cara. Confesso que odeio coisas de repentes, sou toda sistemática, gosto que me avisem no mínimo uma semana antes para eu me programar. Não parece, mas tenho umas frescuras loucas tipo, preciso lavar o cabelo dois dias antes, secar e se não ficar bom passo uma chapinha de leve. Preciso saber se vou poder ler, assistir um filme ou atualizar meu blog antes de sair, que roupa vou usar e deixar ela limpa pro dia...então não me convidem pra coisas de repentes, eu imploro. Mas vamos voltar ao foco, acontece que naquele dia eu estava a fim de me encontrar com aqueles amigos pra uma despedida de fim de ano, só que entre os quatro só um definitivamente não iria poder comparecer. Começamos a brincar falando que assim não dava, que o relacionamento não ia pra frente, até que ele saiu da conversa e me mandou uma mensagem em particular no Whatsapp pedindo desculpas por não poder ir. De cara eu estranhei ninguém precisa pedir desculpa por isso a não ser que seja um casamento ou algo de suma importância de mesmo nível, e ai ele continuou dizendo que tinha receio com ausência nesses encontros de amigos, que como diz aquela famosa frase “Quem não é visto não é lembrado” e ele tinha medo de não ser lembrado.

Será mesmo que a gente precisa se preocupar com esse tipo de coisa? Eu não vou falar que estou fora desse grupinho, porque sempre que vejo a galera indo pro bar eu penso que não serei lembrada, que não farei amigos, mas se eu precisar de uma porta de bar pra ter amizades, eu prefiro ficar sozinha. Sou chata assim mesmo, um tanto antissocial. Respeito muito quem gosta de frequentar bar e baladas, mas não faz meu tipo. Não me sinto bem horas em pé na frente de um bar com garrafas do lado e drogas a vontade, não tenho vontade desse tipo de experiência só pra poder dizer que já experimentei. Droga pra mim é igual legumes, a gente imagina que não gosta e ponto, ninguém quer experimentar o que imagina ser ruim, tô mentindo? Pense em chuchu.  Também não sou muito fã de várias outras coisas que muita gente gosta e por isso geralmente não estou na rodinha dos populares esbanjando fotos de baladas nas redes sociais, adoro um programinha caseiro, uma festinha do pijama, um filme, vídeos do Youtube, jogos de tabuleiro, cartas, dominó, cozinhar entre amigos. Pra sair de casa só se for pra ir a uma livraria ficar horas vendo livros (porque comprar já é outro nível, não sou rica), ir a um museu diferente, cinema - eu amo cinema, ir ao parque, fazer um piquenique andar de bobeira na Paulista, mas não precisa andar muito sou preguiçosa demais. Sou feliz com pouca coisa, e quero pessoas que valorizem essas coisas ao meu lado. Se eu precisar estar no bar pra ser sua amiga, acho que vamos ficar naquela colegagem mesmo.


Eu não preciso ter amigos com gostos iguais aos meus, claro que quando encontramos pessoas legais com gostos iguais (tipo futebol) é ainda mais divertido, mas se não tiver tudo bem, só que preciso que compreendam que tenho gostos diferentes e que sei que vão lembrar de mim, independente se sou vista sempre ou não. Minha melhor amiga trabalha muito, arruma tempo para barzinhos, nem sempre a vejo, mas eu sei de tudo e ela sabe de tudo, estou com ela todos os dias em pensamento e sei que não esquecemos uma da outra e isso é o que realmente importa. Não o número de seguidores no Instagram, o número de conversas no whatsapp e o número de grupos que te incluíram, o número de eventos que te chamaram pra esse final de semana e o número de pessoas com quem você estava em um bar. Números pra mim nunca importaram, não é a toa que fugi da matemática até na faculdade. O que importa são os sentimentos que as pessoas têm por você, as memórias guardadas, os abraços apertados matando a saudade. Importa se você vai ser o tipo de pessoa que encontram conforto e amizade que independente da situação vão pensar em você ou só vão se lembrar na hora de achar uma baladinha legal pra ir nesse final de semana. 

Cuidado com os valores que você anda cultivando, a vida merece muito mais que uma preocupação boba, se divirta como quiser indo ao bar ou ao cinema e até aos dois, mas guarde suas preocupações para quem merece. Quem tiver que se lembrar de você, vai lembrar. E esse é o melhor da vida, as vezes somos surpreendidos e lembrados por pessoas com quem nunca estivemos em um evento por ai, um abraço garante muito mais que uma presença confirmada. Para meu amigo que tem esse medo, eu disse pra não se preocupar, pelo menos por mim ele será lembrado pra sempre, pelo abraço sincero que ele me da sempre que nos vemos na faculdade, abraços não me deixam esquecer as pessoas.

Beijos, Camila Mabeloop

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