25.9.14

Meu Imortal

Não parar, esse era o meu lema. A velocidade e o vento traziam esse sentimento único, como se todos os meus problemas nunca tivessem existido, mera ilusão, pois no fundo, eu sabia que tudo isso era momentâneo! Quando eu pisasse o freio, tudo viria à tona. Todas as minhas preocupações voltariam, por isso resistia ao máximo para não parar.

Nesse momento, eu estava imersa em minhas próprias lembranças emaranhadas em sentimentos de tristeza, culpa e saudosismo. No meio delas, encontrei uma em especial do meu amado vô, calmo, como sempre foi. O tipo de pessoa que deixava sua felicidade de lado e fazia de tudo para arrancar dos outros um sorriso. Normalmente, eu sempre pegava o seu carro escondido, para minhas preciosas fugidas de realidade, mas ele simplesmente ignorava, era como se não estivesse quebrando nenhuma regra.

O senhor de barba branca sabia que correr me fazia feliz e, para ele, isso bastava. Só que agora esse altruísmo constante me irritava, porque ele simplesmente deixava de cuidar de si próprio. E, droga, o resultado disso, não afetava apenas ele.

Estava escuro, fazia algum tempo que eu estava parada em frente de casa, porque quando cheguei ali o céu ainda estava claro. Eu simplesmente estava presa nas minhas angustias, não conseguia sair para encarar realidade, ela machucava. Ficar dentro do carro continuava a ser uma melhor opção do que enfrentar o mundo de frente.

Só que infelizmente, algo dentro de mim sabia que mais cedo ou mais tarde teria que sair e a luz da sala acesa, me indicava que esse era o momento.

- Isabela! Graças a deus que você está bem! – aquela voz preocupada, revirou meu estomago, e acendeu minha ira. Minha vontade era de gritar – Não é comigo que tem que ficar preocupada-, mas me segurei, não queria magoá-lo ainda mais. Ele era alto, olhos claros e cabelo grisalho, aparentava ter um 60 anos. Já dava para perceber seus anos de vida em sua expressão, mas quem o via, não diria que aquele velho jovem teria apenas alguns meses de vida, como foi dito mais cedo por seu médico.

 - Isabela, não faça isso novamente. – o ouvi novamente.

A porta estava aberta e o espaço que nos separava era quase nada. Quem me viu naquela situação, ficou surpreso da minha capacidade de estar em pé. Eu estava branca, igual um giz. Mas, eu não poderia mais adiar aquela situação.

- Vô – minha voz saiu tremida e quando vi estava nos braços do meu porto seguro. Já não tentava segurar as lagrimas. Meu desejo era ficar ali, para sempre. Para mim, não importava o que outros queriam, eu queria apenas meu vô para sempre comigo. Imortal.

Beijos, Bruna

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8 Comentários

  1. Que lindooo :c Adorei, adorei, adorei; certas pessoas deveriam, realmente, serem eternas. <3

    http://listadasnuvens.blogspot.com/

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    1. É uma pena que elas não são né? "/
      Fico feliz por ter gostado do texto!

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  2. Nossa, não sei o que eu tenho mas meu olhos estão soando :p
    http://blog.meus15desejos.com.br/

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    1. kkkkkkk
      Porque será? Confesso que até eu quase sempre choro lendo esse texto.

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  3. Você escreve maravilhosamente bem, quase choro aqui. Se por acaso você ver esse texto indicado em um blog, fui eu hehe.

    http://mdiariosecreto.blogspot.com.br/

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  4. Tem um olho nas minhas lágrimas :')
    estantedorefugio.blogspot.com

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    1. hahaha
      Esse é um dos meus textos que eu mais choro lendo.
      Beijinhos

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