9.12.15

O soco de Jessica, Kara, Peggy, Diana, Frida e Simone

De: Tico Menezes


Num ano que – até que enfim – muito se discutiu e, principalmente, se ENTENDEU a luta do movimento feminista, os nomes Jessica Jones e Kara Danvers deram uma lição de igualdade na TV e passaram uma mensagem urgente sobre o tema, marcando sua forte presença num hall de destemidas obras-manifesto.    
                          


Antes de tudo, o que você entende por feminismo? Será que você não tá no meio da multidão que, ao ler um texto sobre igualdade de direitos e quebras de padrões opressores começa a gritar para as “Feminazis” calarem a boca sem a menor ideia do que está dizendo? Qual a ajuda que você pode dar ou receber do movimento feminista?

De uma forma bastante resumida e didática, feminismo é um movimento social, filosófico e político que tem como meta direitos iguais, vivência humana através do empoderamento feminino e a quebra dos já citados direitos opressores baseados em normas de gênero. É uma luta de todos os que são contra a violência, o abuso e a inferiorização do ser humano, bastando apenas um mínimo de empatia e sensibilidade para ter início e ganhar mais uma voz. Se nomes como Joana D’Arc, Frida Kahlo, Amelia Earhart, Susan B. Anthony, Coco Chanel, Clarice Lispector e Simone de Beauvoir não te lembram de nada, então é hora de fechar este artigo e ir estudar um pouquinho mais.

Entrando na ficção, mais especificamente nas histórias em quadrinhos, duas personagens das editoras competidoras Marvel e DC Comics, se destacaram no ano de 2015 ao serem adaptadas para a televisão. Com diferentes abordagens do mesmo tema, “Jessica Jones” – série da Netflix em parceria com a Marvel Studios – e “Supergirl” – série da emissora CBS – falam sobre a luta diária da mulher na sociedade, o quão natural é para a maioria das pessoas não reagir a um abuso explícito e como o sexo feminino ainda é considerado frágil e incapaz para cargos de liderança ou que exigem força e frieza técnica.
Em Jessica Jones, acompanhamos a personagem-título – uma mulher que, devido a um acidente pouco explicado, desenvolve as habilidades de superforça e vôo – em sua rotina de investigadora particular e conhecemos sua dor constante por ter sido abusada sexual e psicologicamente no passado por um homem – Kilgrave, um vilão com o poder da persuasão. Ao se deparar com um caso de uma garota que foi abusada por Kilgrave recentemente, Jessica toma como missão prioritária encontrar e prender o vilão para que ninguém mais sofra o que ela e outras pessoas sofreram. Em sua busca por justiça, Jessica conta com Luke Cage – um bartender com pele impenetrável, já conhecido dos fãs de quadrinhos –, Jeri Hogarth – uma das mais competentes advogadas da cidade de Nova York e que enfrenta problemas ao se divorciar de sua esposa –, Patricia Walker – irmã adotiva, melhor amiga, famosa apresentadora de rádio e ex-apresentadora infantil – e Will Simpson – policial que fora abusado por Kilgrave e agora nutre um desejo incontrolável de vingança –, personagens com motivações fortes, histórias que se sustentam e que abordam diversas outras questões sociais que merecem ser discutidas.

Jessica Jones” é uma série sobre os diversos tipos de abuso que as mulheres sofrem por serem consideradas incapazes, frágeis, inferiores e objeto de prazer por uma sociedade culturalmente machista. Com uma atmosfera sombria e que beira o sufocante, a série conseguiu explicar sem didatismo ou acusações o que é o movimento feminista e o porquê da urgência em discuti-lo nas escolas, nas universidades e nas manifestações.

Já “Supergirl” se assume uma série para adolescentes, que se compromete a apresentar o movimento feminista a jovens que ainda estão descobrindo suas posições políticas e lutas sociais. Com uma abordagem mais leve, bem-humorada e romântica, sem soar piegas, a série da CBS traz a personagem em conflito por não conseguir passar credibilidade como super-heroína por causa da terminação feminina.

Na trama, Kara Zor-El é a última sobrevivente do planeta Krypton – que explodiu após uma guerra interna – e é enviada à Terra para cuidar e guiar seu primo Kal-El – bebê que viria a se tornar Clark Kent –, mas sua nave cai numa zona fantasma onde fica presa por anos até chegar a seu destino. Quando Kara chega na Terra, seu primo já é o super-herói conhecido como Superman e ela é adotada pela família Danvers, tendo que esconder seus poderes e fingir sua natureza.

Kara cresce, se torna assistente da Editora-Chefe da maior revista de National City e, nas horas vagas, salva a cidade como Supergirl, trabalhando em parceria com uma operação militar chamada DEO. Mas Supergirl é constantemente comparada ao Superman, julgada incapaz, destrambelhada e inferior, o que interfere na vida pessoal de Kara, que também sofre com o julgamento de sua chefe e sua irmã – apesar de serem amigas. A maioria se cala quando Supergirl consegue salvar o dia, derrotando o vilão da semana e resgatando inocentes, e os que não se calam, procuram defeitos e a difamam na internet e em jornais sensacionalistas. A crítica é explícita e destemida, referenciando negativamente a mídia da qual faz parte e atinge seu público em cheio, ao retratar dramas comuns aos jovens que estão adentrando o mundo adulto, muitas vezes dando voz ao que eles querem dizer e facilitando a auto aceitação sem comodismo.

O grito de igualdade e a luta contra a ignorância estampa em bandeiras, camisetas, livros, passeatas, filmes e televisão a análise de Simone de Beauvoir que diz que “o Homem é definido como ser humano e a Mulher é definida como fêmea. Quando ela comporta-se como um ser humano, é acusada de imitar o Homem.” Mas engana-se quem pensa que isso é coisa de agora, que é coisa de facebook, que logo passa. O Feminismo representa a vida, como quem a faz e a vive, contra quem oprime e a encerra com violência verbal, física ou psicológica, e, muitas vezes encoberto pelos livros de História, passa a preguiçosa impressão de que “vem tomando força” atualmente. Temos Jessicas Jones e Supergirls aos montes na história do mundo, lutando como uma mulher e não permitindo serem encaixadas num padrão comportamental. Elas estão salvando vidas e ensinando mentes abertas por aí, por aqui e por todo lugar.

P.S: Aos fãs de quadrinhos, a Panini anunciou que Kamala Khan está chegando ao Brasil em janeiro para unir sua voz a esse coro. Procurem saber mais sobre a personagem, vocês vão se apaixonar!

Algum fã de Jessica Jones e Supergirl?

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2 Comentários

  1. Nossa Mabel, você sempre arrasa em? Adorei esse post. Fico muito feliz quando você fala nesse assunto, porque ele precisa - e muito! - ser discutido e explicado por pessoas relevantes como você. Já até salvei o link para colocar no post de Interessantes da Semana de amanhã do meu blog, haha. <3
    http://www.lysiaribeiro.com/

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  2. Amei o seu post, ficou incrível. Eu terminei de assistir Jessica Jones recentemente e me apaixonei pela série, na minha opinião é uma das melhores estreias do ano. Também achei impressionante como eles abordaram bem o tema do abuso sexual, e de como o agressor, Kilgrave, achava que não fez nada demais. A Jessica é uma personagem muito forte. Ainda não assisti Supergirl, mas pretendo começar, já vi bastante gente elogiando. É muito bom poder ver como alguns canais estão investindo em séries com personagens femininas complexas e abrindo os olhos de muita gente sobre o que é o feminismo.

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